paulo fernando garcia junior

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29-11-2002 -
A MARCEL , a forma de jogar , pensar e fisíca dos atletas brasileiros , já está mudada veja só a forma de jogar do atleta LUCAS do franca basquete , ele tem fome de bola , se deixar ele enterra o time adversário junto com ele , nas suas jogadas . È um atleta de apenas 19 anos , com 127 kg , muito forte ,que apenas precisa melhorar sua capacidade tecnica. Marcelinho um belo ala , Anderson Varejão , defensivamente é uma máquina , entre outros atletas jovens que vem por aí . Tudo o que você diz em mudar o atleta fisicamente , emocionalmente e tecnicamente , é muito complexo , pois não é um treinador que dirige um grupo de atletas que vai os transformar em super jogadores , com o basket em estilo internacional, devido ao fraco metodo de jogarmos basket neste país , um jogo sem contato físico , equipes marcando adultas marcando zona , isso é ridículo !!!! E com isso que venho a falar que jogadores como Lucas tem que se inibir de certa forma ...... |
Marcel

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RE: 30-11-2002 2:48:
Paulo, acompanho o atleta Lucas desde que ele foi formado pelo CA Paulistano. Posso lhe garantir que ele, se seguir um treinamento adequado, terá grandes oportunidades na sua carreira. Aliás, quando se transferiu para Franca, Lucas também teve propostas de outras equipes, dentre estas o Pinheiros, mas preferiu a tradição do basquete francano. Não lhe tiro a razão. Eu apenas gostaria de ter colaborado com o seu progresso. Na minha opinião, Marcelinho é um ala-armador ou alinha. Ala é um jogador mais alto e mais forte. Este é um conceito que tem que ser mudado, pois não podemos colocar Marcelinho, Rogério ou Vanderlei para marcar os alas de outras seleções internacionais em campeonatos de alto nível (Mundiais e Pré-Olímpicos). O mesmo ocorre com Anderson Varejão: uma máquina de tocos em Franca, mas apresentando muitas dificuldades para marcar o número 4 adversário tanto no Barcelona como no último Mundial. Aliás, Anderson deveria ser o nosso número 3. Defende muito bem um jogador de características semelhantes, tem excelentes fundamentos individuais e bom arremesso da distância de 5 metros. Para mim um ala nato, que até hoje teve que encarar os pivôs internacionais. Lembro-me que nós também já fizemos a mesma coisa com o Olívia, 2,11m, na seleção brasileira, pois obrigaram-no a jogar como número 4 e ele, para jogos internacionais de nível, era um ala puro: veloz, bom arremesso de 3 pts, reboteiro e bom marcador. Realmente é muito complexo treinar técnica, física e emocionalmente uma equipe de rendimento. É o que nós costumamos chamar de método interdisciplinar de treinamento. Eu acredito nesse método. Nossos treinadores, embora digam que não, estão habituados a treinar suas equipes (de qualquer nível) sozinhos e não admitem interferências. Seus assistentes técnicos, preparador físico, médico, fisioterapeuta, psicólogo, etc., estão lá, mas pouca ou nenhuma influência têm no processo de treinamento. O treinador de hoje deveria ser o responsável, mas não o ?fac totum? do processo interdisciplinar de treinamento. Ele deveria saber que, quanto melhor for a preparação de seus atletas, mais eles poderão expressar suas opções táticas e técnicas. Embora a decisão final seja sempre do treinador, este deverá contar com uma ?equipe? de treinadores que lhe dê respaldo. Todos estamos aprendendo e podemos sempre melhorar. Dessa maneira, o processo de treinamento não fica tão complexo como vc acredita. Também concordo quando vc diz que o nosso modo de jogar no Brasil está um pouco fraco. Acredito, porém, que vc esteja confundindo contato físico com segurar o jogador para impedi-lo de penetrar no garrafão. O contato físico, especialmente fora do lado da bola, é tolerado nas grandes competições internacionais. Já utilizar as mãos para impedir a movimentação do adversário é uma falta de punição automática. Quero dizer que, num jogo internacional, os árbitros podem relevar um contato físico exacerbado, mas não permitem o uso ilegal das mãos de maneira alguma. Pode conferir na Euroliga. Por aqui, o uso das mãos como arma defensiva é incentivado pelos treinadores que clamam por maior contato físico defensivo. O que eu vejo aqui no Brasil é que o jogo muda quando a competitividade aumenta. Na época dos playoffs, os jogadores começam a se atracar de tal maneira, que se fôssemos apitar todas as faltas, não sobraria ninguém em campo. Também identifico que, terminada a temporada internacional, nossos treinadores vêm com esse jargão do jogo sem contato físico. O que vi no Mundial foram jogadores brasileiros quase chegando à ?vias de fato? com seus adversários, pois estes defendiam dura e legalmente e nós queríamos de qualquer maneira segurar os adversários com as mãos. As faltas eram, obviamente, todas contra nossa equipe e alguns dos nossos se irritaram com esse fato. Aliás, esta é a raiz do nosso problema defensivo. Nas duas primeiras vezes que o jogador adversário tenta a penetração, o seguramos com as mãos. Como não podemos fazer isso, esta ação é punida com falta e daí para frente passamos a permitir as penetrações no nosso garrafão, o que desencadeia a nossa rotação defensiva a qual é ineficaz numa partida desse nível. Quanto à defesa por zona, não sei o porque dessa prevenção contra uma tática defensiva praticada com freqüência até na NBA. O Dallas aproveita a experiência de seus jogadores internacionais e utiliza a defesa por zona com regularidade. O grande problema, no entanto, é definir defesa por zona. Aqui no Brasil, marcar por zona significa descansar na defesa e esperar pelo erro do adversário para tentar o contra-ataque. Isso também é do século passado. Não cabe aqui a explicação, mas os conceitos de defesa por zona têm mudado muito nos últimos anos. É só assistir a um jogo da NCAA para conferir. |