Fernando Henrique

|
04-08-2008 -
CONFLITO DE INTERESSES Muito se tem falado e muito se tem escrito a respeito deste momento do basquete brasileiro, que parece não ter mais fim. Tenho encontrado dificuldades de identificar os reais interesses e interessados no problema: basquete no Brasil e basquete do Brasil. Nestes últimos anos tive a oportunidade de conhecer mais de perto, pessoas que ocupam os mais variados cargos e têem as mais variadas funções, sejam diretivas, técnicas ou operacionais em suas organizações e instituições, sejam elas, clubes, ligas regionais e nacionais, federações, confederação. Conheci representantes de equipes, supervisores, diretores,presidentes , proprietários de clubes e instituições, além de jogadores,preparadores físicos,assistentes técnicos, técnicos, scoults e agentes de técnicos e jogadores, nacionais e estrangeiros. Depois desta experiência, no presenciar, no observar, no perceber, no conviver, além de ler tantas coisas, não saberia afirmar com certeza quem está preocupado com soluções "globais"...quem quer contribuir para encontrarmos o caminho das soluções eficazes e definitivas...mesmo que por um tempo, até as necessárias correções...e o que mais vi e ouvi: todos estão se agarrando como podem para tentar sobreviver .
Duas afirmativas de pessoas diferentes, com funções distintas, clubes diferentes e de estados diferentes me chamaram muito a atenção, pois que me parecem " pequenas luzes no fundo do túnel".
1ª: "O que mais ouvimos em reuniões formais e informais é: quem está brigando pelo poder ou quem está brigando para não perder o poder...seja no clube, na sua liga, na sua federação, enfim... do basquete brasileiro em geral. Quem falou em modificar o modelo atual? Quam falou em qualificação de profissionais( o que dirá de remuneração?)". Minha opinião: Quem denunciou dirigentes de clubes de todos os níveis, os profissionais que lidam com atletas, técnicos e etc., no dia a dia, todas as pessoas que "estão no esporte"( mas que parecem que não "são" e nunca "foram" do esporte) pessoas estas que agem anti-ética, desonesta e inescrupulosamente, sem o menor constrangimento, sem o menor repúdio, e o pior , aos olhos de todos que comungam das mesmas atitudes e ainda dão seu aval... Quem traz a público políticas unilaterais de uma federação ou federações, que dá(ão) condições de jogo a atletas que não são liberados pelos clubes de origem ? federações estas que nem se pronunciam quando o atleta tem carta de liberação do clube filiado e é questionado pela CBB sobre a condição de um atleta que está indo jogar em outro estado, e desta forma incitam a outras federações e clubes a incorrerem no mesmo erro para não serem sempre lesados... Temos a outra face: Profissionais do esporte. Exemplo: Dirigentes executivos e técnicos que dizem se interessar pela carreira do atleta quando na verdade só se interessam pelos resultados que os mesmos podem lhe trazer imediatamente e os tornam descartáveis. No segundo momento abandonam o atleta sem cumprirem "acordos"( a palavra ) e ás vezes até contratos. Técnicos que utilizam de argumentos "poderosos" , tais como contratação-trampolim para outras equipes e até selecionados , contratação de garotos de base com promessa de jogar nas equipes das categorias superior, adulto e etc...e que acaba nem sempre ou quase nunca acontecendo...enfim, é uma boa escola... porque.. até mesmo quem não tem o mesmo "poder", tem se utilizado desta forma de argumento-benfícios (que devemos concordar e que não sejamos ingênuos), são bastante atrativos e sedutores... Atletas/jogadores.... que assumem compromissos com clubes e depois não cumprem, empenham sua palavra e depois...acertam com outro... ou outros...começam e depois mudam de clube...enfim...tem muita coisa errada pelo meio do caminho.... 2ª: "O poder econômico e interesses pessoais sobrepõem a qualquer iniciativa de solução dos problemas do basquete brasileiro. Precisaríamos reverter o quadro através de uma política nacional que viria da reestruturação física e de qualificação de pessoal nas escolas de todo o país. O movimento está sendo inverso, retirando a obrigatoriedade da disciplina Educação Física nas escolas. As escolas estão todas sucateadas. Não têem quadras , pessoal e material."
Minha opinião: sobre esta segunda afirmativa, parte resolve nosso problema( política escolar nacional)..outra parte que é a do poder econômico..alimenta o problema... Hoje mesmo fui procurado por um agente procurando garotos de 14 anos que tenham 2,00m ou mais.. para ir para Europa..e não é o primeiro e nem é a primeira vez que sou procurado para este fim...o lucro do agente vem desta ação..então não estou criticando a ação...mas observando o lado pior para o basquete brasileiro que muito cedo perde seus "possíveis talentos", e desta forma os campeonatos locais, regionais, estaduais e nacionais de todas as categorias ficam muito menos interessantes e atrativos. Com a atuação de agentes agora até nas categorias de base, me fez lembrar do técnico José Roberto Lux ( "Zé Boquinha") nas transmissões da NBA, quando ele tirava "sarro" de determinados jogadores que não tinha lá um nível técnico compatível com a equipe ou mesmo com a NBA. Comentário do "Zé": "gostaria de saber quem é o agente deste jogador...o cara(agente) é muito bom...PORQUE O JOGADOR....EHEHEHEH......" Como aqui nesta tribuna a manifestação é livre..pensei sómente compartilhar opiniões e vivências com os interessados em contibuir para que encontremos soluções "para todos" que estão envolvidos e que fazem basquete "dia após dia", e não só para uma minoria sempre privilegiada...que acabou concentrando poder... dividindo-o de acordo com interesses pessoais... e que acredito que estes... muito colaboraram (e ainda colaboram) para o estado atual do basquete brasileiro...mas que (pessoalmente )continuam se dando bem ...na maré baixa.
Prof.Fernando Henrique Pinheiro(Branco) Uberlândia - MG
|