TRIBUNA
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Ricardo

databasket

23-09-2007 -

Gostaria de deixar aqui um e-mail recebido e aceito por todas as pessoas que amam o basquete. Gostaria que essa declaracao fosse lida por muitas pessoas, pois a verdade escrita nas linhas abaixo vetam a vontade de torcer pelo basquete brasileiro.


DANÇANDO CONFORME A MUSICA







Sou carioca, quase 60 anos vividos, apaixonado pelo esporte da cesta minha vida toda, fã do Mestre Kanela, e desde sempre acompanhando o basquete brasileiro, ao vivo, pela TV, pelos jornais, etc., etc., etc. Resolvi escrever algo porque nesse ultima década ou um pouco mais venho acompanhando o comportamento das pessoas envolvidas no basquete
e notado muitas mudanças e diferenças nas pessoas envolvidas com algum tipo de poder.







Me lembro muito bem que na Olimpíada de Atlanta (ultima participação do Brasil, no basquete masculino), um comentarista de TV, criticava duramente o basquete brasileiro, a filosofia, os excessos de Oscar, mas fugia sempre do assunto para criticar a CBB, por ter colocado para dirigir uma das seleções de base, um técnico estrangeiro (ponto de vista hoje defendido por muita gente), só pelo fato de ser estrangeiro. Confesso que me tornei ainda mais fã desse comentarista, pela sua postura ufanista, acreditando que estava em defesa dos técnicos brasileiros. Para minha surpresa esse mesmo senhor, pouco tempo depois ajudou a eleger nada mais , nada menos que um estrangeiro para presidir a entidade máxima do basquete brasileiro. Nem questiono porque, mas fiquei assustado com tamanha mudança de postura.








Algum tempo depois, vimos ao vivo pela ESPN, numa mesa redonda, fritarem o técnico principal pelo mal resultado no Mundial de 2002, toda a "culpa" recaiu sobre ele e me recordo com tristeza da sua fisionomia e com toda razão, porque estavam vários técnicos e jornalistas o massacrando-o pelo resultado inesperado. E o mínimo que se esperava era que todos aqueles que trabalhavam com ele saíssem em defesa pelo menos do trabalho realizado. Mas não foi isso o que aconteceu, todos se silenciaram porque ali, naquele momento garantiriam sua permanência nos cargos, inclusive com promoção. Também não questionei dessa vez, mas fiquei assustado com a ética e com a postura dessas pessoas. Pensei que eram pessoas que lutavam pelos mesmos objetivos e interesses, e que o mais importante de fato deveria ser o basquete brasileiro.








Ano passado, logo após o vexame no Campeonato Mundial, nada foi falado, o silencio foi então a melhor maneira de fazer o resultado cair no esquecimento, e a única explicação era a ausência de fulano, ciclano ou beltrano. Cheguei a conclusão de que para a CBB, o resultado estava ótimo, já que em time que esta ganhando não se mexe, a ausência dessa atitude significava um sinal nessa direção. Não se mexe em time que vence Pan, Sulamericano, mesmo contra equipes B e C de outros paises. Também dessa vez, não questionei, mas me assustei em perceber que os objetivos do basquete brasileiro haviam mudado.








Hoje, o resultado do ultimo Pré Olímpico nem merece meu comentário. Alias é pra isso que escrevo isso como desabafo. Me
limitei apenas a me assustar e não a questionar, e agora sinto vergonha de mim, porque quem ama o basquete como eu, deveria ter questionado. Pelo menos hoje nada mais me assusta, porque nessa guerra das vaidades, todos eles jantam no mesmo restaurante, onde na "panela se cozinha lulas furtadas ao sabor da manteiga, ao som de musicas gregas" e a conta é paga por todos os que vivem do basquete, e me entristece porque quem se farta dessa comida, ainda recebe por isso.








Peço permissão a Rolando Boldrin por plagiar sua frase: "tenho vergonha de mim"



Tenho vergonha e mim por ser apaixonado por basquete...



Tenho vergonha de mim por ter acreditado nessas pessoas...



Tenho vergonha de mim por nunca ter falado nada...



Tenho vergonha de mim por torcer para essas pessoas...



Tenho vergonha de mim por ter falado bem do basquete e mal do voley...







Gostaria de escrever como um Stanislaw, mas não sou Ponte Preta, e sim Flamengo, e portanto sou assim
ate morrer, passional, emocional, que adora garra, que fala com o coração...Gostaria de assinar o meu nome, mas resolvi dançar conforme a musica da CBB, e agir de forma covarde, que quando criticada se silencia, se esconde e espera pra ver o que vai acontecer...








Atenciosamente







Um quase ex-amante do basquete