TRIBUNA
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Beto

databasket

26-08-2006 -

Esperei algumas horas após a eliminação do Brasil do Mundial para esfriar a cabeça e refletir, isento de paixões e já sem a raiva inicial com a situação inusitada.
Li muito, quase todas as matérias publicadas, comentários de analistas, ex-técnicos, técnicos, criticos (e como estes aparecem nestas horas) e leigos.
Jornalistas "especializados" comentando sobre um esporte do qual muito pouco conhecem; como sites que nunca publicaram uma só linha sobre basquete nestas horas conseguem enxergar e publicar um artigo (talvez o primeiro de sua história) com os 7 erros principais dessa seleção, mas não tem a coragem de colocar o nome do "gênio" que a escreveu.
Comentaristas comprometidos com a atual estrutura do nosso basquete sem a coragem necessária ou com, no mínimo, a coragem de falar somente a verdade, somente o que os apaixonados por esse esporte, assim como eu, viram durante todo esse período de treinamento.
Ninguém mais lembra que essa comissão técnica, no início dos treinamentos para o Mundial, disputou um campeonato Sul-Americano, mas preferiu dar um descanso para 8 jogadores, os quais consideravam intocáveis. Será que poderiamos afirmar que essa atitude da comissão técnica, com a benção da CBB, contribuiu para o fiasco do Japão?
O que vimos no Japão não foi nem sombra de um "TIME". Teria sido falta de treinamento?
Muitos dizem que essa seleção não treinou jogadas, não treinou arremessos, não treinou nada.
Enganou em cinco amistosos contra um mesmo time (fraco diga-se de passagem), sempre com formações diferentes, com jogadores fora de suas posições, com protecionismo, com bairrismo e com algumas peças consideradas insubstituiveis fora de forma fisica e técnica.
E agora o resultado está aí, com abutres da imprensa, que talvez nunca tenham assistido um único jogo de basquete, fazendo críticas a jogadores como se estes fossem os vilões desse fracasso.
Não ouvi de nehum crítico (aqueles compromentidos e já citados) que o "time titular" em quase todos os jogos começou perdendo de 10, 15 pontos no primeiro quarto; que os jovens talentos entravam quase sempre com o placar praticamente irrecuperável; mas estes jovens talentos tinham amor a camiseta do Brasil, corriam feito loucos, davam sangue de verdade na quadra e quando conseguiam o quase impossível, algum mágico da comissão dava a ordem para voltar com o time titular ou, no mínimo, substituir aquele(s) que estava(m) jogando melhor.
E me vem um site, que nunca publicou nada do basquete brasileiro, e diz que faltou maturidade pra um, liderança pra outro, e outras bobagens mais.
Não vi nenhum dos comentaristas especializados dizer nada contra os arremessos fora de hora, contra a falta de marcação, contra a passividade de um ou outro jogador mais velho porque tem amizade com membros da familia, talvez porque para esses comentaristas de botequim o que vale são os pontos feitos sem se preocupar com o número de arremessos errados necessários para ser o cestinha da partida.
Fica muito mais fácil, pegar um jogador novo, mesmo que tenha sido destaque na NBA, mesmo que tenha sido destaque na Europa, mesmo que tenha sido destaque no Sul Americano e, até mesmo aqueles que jogaram muito no Brasileiro; mas na cabeça desse senhores são imaturos e jovens demais.
Ouvi até a bobagem de um pseudo-comentarista que faltaram jogadores mais velhos na seleção. E eu pergunto, outro mais velho pra que? Pra não marcar, pra não correr, pra deixar o time adversário abrir 15, 20 pontos; mas tudo bem, depois põe a molecada pra correr atrás do prejuízo pros mais experientes voltarem e perderem o jogo no final.
Parem de falar bobagens, parem de ser hipócritas, sejam homens com H e reconheçam os verdadeiros erros e os verdadeiros culpados.
Reconheçam que esta é uma das gerações mais talentosas que o Brasi já teve e não queiram jogá-los aos leões.
Não vamos fazer caça às bruxas, mas não são os jovens e talentosos jogadores os culpados por não ter sido formado um TIME, eles não tem culpa de terem sido obrigados a jogar fora de suas reais posições sem terem treinado pra isso.
Eu me emocionei vendo jogadores novos e talentosos, que saíram daqui cheios de esperança, chorando após o jogo, com o sentimento de frustração.
Mas, não vi pessoas mais maduras com cara de chateados ou frustrados; foi mais uma derrota que, aliás, já faz parte da história esportiva dos mesmos.
E, para finalizar, não menos chocado do que com a desclassificação prematura, tomo conhecimento da triste notícia de que a maior autoridade do basquete nacional faria tudo igual, sem mudar absolutamemte nada.
Pobre geração!
Estou com voces até o final e tenho certeza da capacidade de cada uma desses garotos, todos com muitos anos de basquete e de seleção pela frente, com muito talento, mas, infelizmente, sem comando.
E quanto aos urubus de plantão parem de rotular essa seleção e dobrem a lingua para falarem desses jovens e talentosos brasileiros.