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BASQUETE - Ponto de vista

SOBRE RESULTADOS, TALENTOS E PROFISSIONALISMO

14/05/2012 18:26 h

         

A busca de resultado sem que o talento esportivo seja posto em prática – O profissionalismo fora das “arenas” como um espelho do sucesso.
 
A apenas 3 dias para a tão esperada convocação da Seleção Brasileira Masculina de Basquete que irá a Londres, disputar os Jogos Olímpicos após 15 anos de ausência, quais lições aprendemos nesse período?
 
Durante todo esse tempo, tivemos a despedidas de ídolos, que com amor, representavam não só a seleção, mas o seu país. Tivemos a quebra do Record de maior cestinha da história do basquetebol mundial (Valeu Oscar!); outrora potencias ídolos surgindo; a ascendência (e com que competência) do vôlei; e a decadência do basquete, que, como uma fênix, volta a ser comentado, falado e assistido pelo povo brasileiro.
 
Sendo assim, e claro, comparando os acontecimentos esportivos brasileiros, nesses últimos 15 anos, me pergunto... O que levou o vôlei a ganhar tantos títulos mundiais, um Jogos Olímpicos e um vice-campeonato olímpico e o basquete sequer, ter participado de uma das edições de Tal Evento (levando em conta, só o masculino)?
 
Sem querer entrar na discussão dos méritos técnicos obtidos pelas modalidades (treinamento ao longo prazo, capacitação profissional – Seria errado falar o quanto o Bernardinho contribuiu para isso? – Investimento nas categorias de base, etc.), gostaria de abordar a estrutura criada para tal modalidade em território nacional.
 
Desde a famosa geração de prata, a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) investe na estruturação da sua modalidade, criando uma Liga nacional forte (o nome já diz tudo – Superliga Nacional), capacitando profissionais (técnicos e dirigentes) com intercâmbios, clínicas técnicas, cursos de administração e marketing esportivo, trazendo pessoas de outros países para nos “ensinar” e trocar informações, promovendo a modalidade de modo sério e profissional.
 
Ao mesmo tempo em que isso acontecida no vôlei, o nosso basquete foi se afundado em uma administração errática e amadora, sem preocupar com a profissionalização ou com as futuras gerações.  Resultado disso, 3 tentativas frustradas de classificação Olímpica, técnicos desatualizados (sem idéia do conceito de jogo internacional), times sem estrutura para disputa de torneios internacionais e claro, extinção dos ídolos nessa modalidade, gerando cada vez mais o desinteresse pela modalidade.
 
Mas, graças as constantes críticas das pessoas ligadas e que amam o basquetebol, às tantas vezes que Nenê pediu dispensa da seleção (não entro no mérito se ele estava certo ou errado, mas somente concordo com a “desculpa” que ele usou para a primeira vez em que pediu dispensa – de que enquanto o basquete brasileiro estivesse desorganizado, ele não serviria à seleção), o Brasil acordou e começou a enxergar aquilo que o vôlei havia iniciado nos anos 80.
 
Com isso, a classificação para os Jogos vieram, surgiu uma Liga Nacional que, se ainda não é forte, pelo menos é competente e organizada, o interesse da televisão na modalidade voltou, e obviamente, o basquete volta a ser comentado e apreciado pela massa.
 
Resumindo e concluindo esse tópico, o basquete não participava dos Jogos Olímpicos, não por não termos jogadores bons o suficiente, mas porque não tínhamos o mínimo de estrutura (física, profissional e administrativa) para que isso acontecesse.
 
Logo, volto a repetir, enquanto tivermos o nosso esporte fadado ao amadorismo, nunca seremos uma potência olímpica como sonhamos ser um dia. E enquanto os investimentos (não só financeiros) não forem destinados a uma melhoria dos profissionais que cuidam/zelam/promovem/ensinam, continuaremos ficando atrás de Cuba (que não tem nem a metade da população Brasileira) nos Jogos Pan-americanos e nos contentando com os heróis olímpicos criados quando em uma rara conquista de ouro para o nosso país.
 
 
Cassius Oliveira
Técnico de Basquetebol

Equipe Databasket
databasket@databasket.com

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